segunda-feira, 17 de maio de 2010

Arte na Brasilândia

Na Rua - Hip Hop em Festa une os 4 elementos


O evento Na Rua - Hip Hop em Festa chega em mais uma edição e desta vez acontece na Brasilândia, neste sábado (22/05), a partir das 16h, na Rua Rodolfo Pereira Lima. O objetivo da intervenção é unir os quatro elementos do movimento (MC's, DJs, street dance e graffiti) e levar o hip hop para o seu lugar de origem: a rua.

Itinerários:

Confira como chegar na Rua Rodolfo Pereira Lima (cruzamento com a Jorge Palmiro Mercado):

Saída/Ônibus

Lapa (Rua Roma) – 9181-10 Vl.Terezinha e desembarcar no ponto final

Praça do Correio – 8528-10 Jd Guarani e desembarcar na rua Muniz Barreto altura 33

Barra Funda – 978T-10 Jd Guarani e desembarcar na rua Muniz Barreto altura 33

Term. Vila Nova Cachoeirinha – 9008-10 Pq. de Taipas, desembarcar na Av Dep. Cantidio Sampaio, 3511

Perus – lotação 8194-10 Terminal Vila Nova Cachoeirinha e desembarque na Av. Dep. Cantídio Sampaio, altura 3.511

Jaraguá – 971R-10 Santana e desembarque na Av. Dep. Cantídio Sampaio, altura 3.511

Taipas – 9009-10 Terminal Vila Nova Cachoeirinha e desembarque na Av. Dep. Cantídio Sampaio, altura 3.511

sábado, 15 de maio de 2010

RadiAção Dub

Edição de maio recebeu Coletivo Dub Sound em Perus


O Ponto de Cultura Quilombaque segue com as intervenções em praça pública, abrindo cada vez mais um diálogo direto e aberto com os jovens de Perus. Na última sexta-feira (14/05), os DJs da Phone Raps foram para a Praça Inácio Dias mandar diversos sons para a galera que sempre enche o local. Nesta edição do RadiAção Sonora tivemos a participação especial do Coletivo Dub Sound, que agitou o público com muito dub e reggae.


Com três horas de duração, o evento foi encerrado à meia-noite, depois que a Polícia Militar chegou para saber o que estava acontecendo (detalhe: pelo menos duas vezes por mês realizamos intervenções na praça). Curioso perceber que mesmo após desligar o som, os jovens continuaram na praça, como sempre fazem. Qual opção? Qual a solução? Simplesmente desligar e pronto? Fica o questionamento.


No final do mês, dia 28/05, voltaremos à Praça Inácio Dias com a exibição do filme "Várzea, a bola rolada na beira do coração", no projeto CineQuilombo.

Texto: Silvio Luz

sexta-feira, 14 de maio de 2010

RadiAção é hoje!

Coletivo Dub Sound é convidado para edição de maio

13 de maio é todo dia!

Teatro Parabelo questiona libertação dos escravos


A data 13 de maio - desconhecida por muitos - passou mais uma vez. Em branco. Em preto. Em reflexão sobre as nossas atitudes diárias que, mesmo imperceptíveis, contribuem, e muito, para que o vil preconceito continue encarnado e entranhado nas nossas relações e nos espaços que ocupamos. Para lembrar a data e provocar análises sobre a Abolição da Escravatura no Brasil (Lei Áurea, de 13 de maio de 1888), o Teatro Parabelo escolheu o quilombo urbano chamado Perus para realizar a intervenção "Post-Mucamba", mais um trabalho de impacto do grupo, que preza pelo despertar de questionamentos e provocação.


A intervenção começou pouco depois das 20h na escadaria da estação de trem Perus, no momento em que as escravas lavavam a escadaria com suas bacias banhadas de sangue, enquanto que a Princesa Isabel acenava para todos de sua cadeira de rodas. O estranhamento do público era inevitável. Provavelmente muitos pensaram que a ação fosse alguma espécie de macumba (mais um preconceito enraizada no nosso país). Uma das escravas acorrentadas a uma forca foi simbolicamente liberta pela "bondosa" princesa.


A cena continuou na entrada da Travessa Cambaratiba, onde foi colocada uma urna para que todos depositassem suas cartas de alforria. Até os policiais que estavam logo ao lado, na Praça Inácio Dias, foram convidados a assinar, sem sucesso. Ao som da música Black or White, de Michael Jackson, a intervenção prosseguiu questionando o processo de embranquecimento do nosso povo, até chegar no espaço da Comunidade Cultural Quilombaque, onde imagens eram projetadas num telão, enquanto a escrava recém liberta e agora "embranquecida" continuava a demonstrar que não estava livre coisa nenhuma, que continuava amarrada e presa pelo consumismo, pela cultura de massa, pelo capitalismo.


Ao final da intervenção, o grupo Parabelo chamou todos - inclusive crianças que assistiram à intervenção - para um bate-papo construtivo sobre a encenação reflexiva sobre o dia 13 de maio. Incrível perceber como cada um saiu desta experiência com uma ou outra indagação, que, com certeza, vai interferir nas ações, atitudes e olhares no dia-a-dia.

Texto e fotos: Silvio Luz

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Post-Mucamba

Teatro Parabelo faz reflexão sobre o dia 13 de maio


Nesta quinta-feira, dia 13 de maio, data que marca a promulgação da Lei Áurea (libertação dos escravos), o Teatro Parabelo, de Pirituba, vem até a Comunidade Cultural Quilombaque, às 20h, para apresentar a intervenção urbana "Post-Mucamba", criada no atual projeto da companhia, MIDIOTAZ. Antes disso, o grupo sai às 19h da estação da Luz (último vagão), no trem da linha 7-Rubi (Luz-Francisco Morato), com a intervenção "O Navio Negreiro?".

Leia abaixo texto tirado do blog do Teatro Parabelo e saiba como foi o processo de construção desta intervenção urbana:

No último domingo, 09 de maio, aconteceu o Workshop (Ensaios-Táticos) # 4 com foco no 13 de Maio, dia em que é comemorada a abolição da escravatura. Previsto para ser realizado na Comunidade Cultural Quilombaque, Ponto de Cultura localizado no bairro de Perus, o Workshop aconteceu de improviso no bairro da Mooca, devido a restrições impostas pela CPTM no desenvolvimento das ações. Criadas a partir dos leitmotivs escravos do espetáculo, coisificação e mal estar da civilização, as performances apresentaram várias similaridades entre si, permitindo que a hibridização entre as mesmas acontecesse no momento em que eram realizadas.

"Mucama", de Denise Rachel, trazia a performer amarrada a uma cabeceira de cama de aspecto colonial, enquanto, através do olhar, a própria buscava a compaixão dos passantes ao mesmo tempo em que em "Desforria", Bárbara Kanashiro distribuía aos transeuntes suas cartas de alforria que, após assinadas, eram depositadas em uma urna fiscalizada por uma espécie de Princesa Isabel saída dos filmes de Walt Disney. Em seguida, em "Ensaboa mulata, ensaboa" Eliane Andrade limpava a rua, as calçadas e a escadaria da igreja São Rafael, munida de um pedaço de pano, um balde e sangue.

Se em "MutaBOLição", Thalita Duarte convidava os espectadores a “enegrecerem-se” em "Liberdade, Liberdade", Lucas Cruz propôs aos mesmos o “embranquecimento”. Carvão e açúcar colocavam em xeque a relação entre a escravidão, a produção de mercadorias e as raças na história do Brasil. Já em "Post-Mucambo", Diego Marques procurou estabelecer relação com nosso tempo-espaço, trazendo o indivíduo escravizado por elementos pós-modernos.

Da hibridização do escravo de ontem e de hoje, e numa tentativa de pensar os escravos de amanhã, surgiu "Post-Mucamba", intervenção urbana que o Teatro Parabelo realizará no dia 13 de Maio, na Comunidade Cultural Quilombaque, às 20h00min.

ATUALIZAÇÃO: Quer participar de Navio Negreiro? Happening integrante da intervenção urbana Post- Mucamba. É só colar nesta quinta 13/05, no ponto de partida: estação Luz CPTM Plataforma (último vagão) da Linha 7 (Rubi) sentido Francisco Morato às 19h00. Compareça e receba as coordenadas. Até lá! Maiores informações: teatroparabelo@gmail.com ou no telefone 6676-5815.

13 de maio

Libertação dos escravos: a história não contada


A mentira cívica, a história oficial romantizada, a estratégia para manutenção da economia e do poder. As verdades foram silenciadas por uma máscara de conto de fadas com princesa, pena de ouro e uma multidão pacífica e submissa à espera de um final feliz.

Os alicerces da instituição escravocrata minaram porque valores econômicos da Revolução Industrial ganharam maior importância e adeptos no mundo ocidental. O governo imperial brasileiro, ciente do fim da instituição, pretendia minimizar os danos econômicos dos fazendeiros adotando medidas para abolir a escravidão de forma gradual em respeito ao direito de propriedade dos senhores (Lei do Ventre Livre (1871), Lei do Sexagenário (1885) etc.).

Mas ações determinantes aceleraram o processo, ações propositalmente omitidas dos livros da historia oficial: o aumento no número de fugas, o crescimento e formação de novos quilombos, os atos de rebeldia, os assassinatos de senhores e feitores, a queima de engenhos, a destruição de fazendas inteiras, a compra de alforrias, a exploração das possibilidades abertas pela legislação imperial disputando na justiça o direito à liberdade, a influência da temida e bem sucedida revolta de escravos que trouxe a independência ao Haiti e por aí vai.

Evidências do auge de um movimento permanente e organizado de grandes proporções que desgastou significativamente o sistema escravocrata: a quilombagem. Neste quadro de tensões crescente formalizou-se o inevitável. A princesa regente promulga a lei 3353 de 13 de maio de 1888 que declara extinta a escravidão no Brasil revogando-se as disposições em contrário. O fato é que 90% de homens e mulheres já estavam libertos na data da lei através de meios próprios.

Alguma semelhança entre os fatos? A resistência organizada e permanente se mantém nos quilombos urbanos. E a omissão dos grandes meios de comunicação também. Reflita: quem quebrou e continua quebrando as correntes? A informação é uma arma que durante muito tempo foi usada para nos subjulgar, inferiorizar, dividir e alienar. SEJA CRÍTICO! QUESTIONE! APURE SEU OLHAR SOBRE OS FATOS!

Texto: Táta dos Santos

Indicações:

13 de maio abolindo a escra-visão no Brasil: discussão temática durante o Sarau Elo da Corrente

Dias: 08, 13 e 20 de maio, às 20h30.

Local: Bar do Santista- Rua Jurubim, 788 A – Pirituba
Confira a programação no blog do Elo da Corrente (clique aqui)

Livros:

História do negro brasileiro - Clovis Moura – Ed.Atica - 1989.

Das cores do silêncio: os significados da liberdade no sudeste escravista – Brasil século XIX – Hebe Maria Matos de Castro -Arquivo Nacional,1995.

Onda negra, medo branco: o negro no imaginário das elites, século XIX – Célia Maria Marinho Azevedo – ed. Paz e Terra, 1987.

Um show inesquecível?

Nação Zumbi no CCJ: abuso e spray de pimenta


Com uma divulgação de algumas semanas, aconteceu em 25 de abril o esperado show da “Nação Zumbi” no CCJ (Centro Cultural da Juventude) da Cachoeirinha. Enquanto esperávamos um evento inigualável na periferia da zona norte de Sampa, o que vimos foi o mesmo desrespeito de sempre. Às 14 horas uma enorme fila sem critérios se instalou e foi engordando em frente ao CCJ. Antes do início da distribuição dos ingressos, várias viaturas chegaram com diversos policiais militares que, naquele momento, apenas observavam o que acontecia. Às 17 horas, os ingressos foram distribuídos e o óbvio aconteceu: mais da metade do público presente ficou sem os bilhetes.


Enquanto aqueles que tinham ingressos formavam uma nova fila aguardando para entrar no centro cultural, o público sem ingresso se aglomerou em frente à entrada principal reivindicando o direito de assistir ao show que custou mais de R$ 15 mil de cachê aos bolsos dos cidadãos. Neste momento, a polícia militar tomou a cena: enquanto fingia pedir calma às pessoas, que começavam a se irritar com a falta de soluções, aproveitaram para escolher o melhor ângulo e lançar o repetitivo spray de pimenta democraticamente, ao alcance de todos. A multidão se dispersou junto ao gás e quem estava na fila não sabia se se irritava, indignava, corria, tossia, respirava ou tentava aguentar firme e ser um dos 500 privilegiados numa região de mais de 300 mil habitantes.


Em seguida, a polícia militar colaborou com os organizadores do show e juntos agilizaram a entrada do público com ingresso, antes mesmo dos acessos de tosse cessarem. Ao adentrar o CCJ, algumas pessoas reclamaram da atitude da organização e o que ouviram foram justificativas sobre a necessidade daquele ato. Ouviram ainda que o CCJ sempre estava de portas abertas à comunidade e às iniciativas locais – claro que disseram isso num tom menos conciliador do que triunfante – mas esse diagnóstico raramente é verificado pelos usuários do espaço. Falamos isso de causa própria, pois não é novidade o descaso deste CCJ com nossas atividades.


Com o passar dos minutos, o absurdo ficou ainda mais absurdo. A notícia que corria era que o show poderia ser cancelado em função do atraso, mas logo a banda entrou no palco e muitos dos que ainda pensavam naquilo que estava ocorrendo do lado de fora, logo esqueceram o que havia acontecido. O início das vibrações sonoras praticamente determinaram o fechamento dos portões. A cena era muito estranha, pois qualquer observador podia notar muitos espaços vazios no local da apresentação. A resposta para essa situação estava lá fora: muitas pessoas com os preciosos ingressos nas mãos foram impedidas de entrar. A expectativa de um público de 500 pessoas foi então frustrada.


Nossa intenção com a divulgação deste texto não é desmerecer a apresentação da Nação Zumbi. Pelo contrário, acreditamos serem necessários mais eventos com atrações como esta, representativa da cultura brasileira. No entanto, o que nos causa preocupação é a proposta de organização que atualmente se confunde com “favores”. “Façamos de qualquer jeito, o importante é que aconteça alguma coisa”, parece ter sido esse o pensamento que predominou na organização do evento.


E temos motivos para acreditar nisso. No caso particular do CCJ este pensamento parece incorporado em sua própria estrutura física. Assim, destacamos o anfiteatro que apesar de contar com amplo palco tem como personagem principal das peças apresentadas o desconforto físico e sonoro, pois qualquer ruído emitido de fora do espaço entra sem nenhum tipo de impedimento para dentro do espetáculo e, ainda, para que o espectador fique atento às cenas é necessário um verdadeiro malabarismo, uma vez que o posicionamento das precárias cadeiras da platéia nos trazem verdadeiros desafios e estão longe de oferecer uma percepção inusitada.


Na biblioteca, que conta com instalações de grande qualidade, mas com um acervo reduzido e apenas há pouco tempo disponibilizado à população, a tranqüilidade nunca é convidada e o som dos outros espaços do CCJ é o principal freqüentador deste reduzido acervo. Não podemos esquecer também – e talvez seja essa a origem de tantos problemas – que o atual Centro Cultural da Juventude se instalou em um prédio que estava abandonado e foi reaproveitado. Ou seja, originalmente não foi construído para abrigar um equipamento cultural.


Será que existem pontos positivos neste equipamento cultural? Obviamente que sim! Mas o que seriam eles senão o mínimo de dignidade que nosso suor em forma de impostos merece? Por falar em dignidade é necessário reconhecer quando esta se sobressai em momentos adversos. Assim, ao final do show, uma das “colaboradoras” desculpou-se com o público presente pelas cenas de violência e despreparo que ocorreram naquela tarde. Apenas lamentamos que o público que tentou acompanhar o show do lado de fora do CCJ talvez não a tenha ouvido.


Por fim, destacamos que o Centro Cultural da Juventude é um espaço público, mantido pelo dinheiro dos impostos pagos pela população à cidade de São Paulo. É, portanto, necessário que seja ocupado e caso não seja bem administrado a mesma população deve denunciar, interferir e exigir as mudanças necessárias. De certa forma é isso que fazemos aqui.


Obs.: Texto publicado originalmente no blog Sarau na Brasa e retransmitido aqui no nosso espaço, para que o maior número de pessoas fique sabendo do absurdo que aconteceu no dia 25 de abril de 2010, no show da Nação Zumbi, no CCJ.